Appmon: Entrevista com a equipe de produção!

publicado em  1.9.16


No mês passado, comentamos aqui que foi lançada uma edição especial da revista japonesa Animedia, totalmente dedicada as novidades da franquia Digimon: "tri" e "Appmon"! Além de imagens exclusivas, a revista fez algumas perguntas aos produtores de Digimon Adventure tri (leia clicando aqui). E também trouxe uma grande entrevista com cinco membros da produção de "Appmon", que você poderá ler agora.

A revista faz uma pequena introdução do universo do novo anime, e na sequência inicia uma grande entrevista com a equipe de produção. Entre os principais temas, estão a necessidade em fazer algo totalmente diferente do que foi "Digimon Adventure" e a criação de um novo conceito que se adequasse aos dias atuais. Veja abaixo:

 

Um novo capítulo da história da série "Digimon" começa a ser escrita!

Com uma história que se estende por 17 anos, está em produção um novo anime para TV de Digimon, que está programado para ir ao ar em outubro. Esta série, batizada de "Digimon Universe: Appli Monsters" (também chamada de "Appmon"), nos dá uma nova perspectiva do universo de Digimon, totalmente diferente do que foi retratado até agora. Mudanças, como a do item chave da série, o "Digivice", que agora será representado pelo "Appli Drive" e os "Chips Appmon", sinalizam o recomeço que o novo anime tem como objetivo.

Os monstros que surgirão nessa nova série são conhecidos como "Appmon", formas de vida com inteligência artificial, que vivem dentro de aplicativos de smartphones. Sendo formas que residem nos aplicativos que as pessoas usam diariamente, esses monstros cumprem seus deveres em segundo plano. Porém, graças a acontecimentos inesperados, um desses monstros, o Appmon de busca conhecido como Gatchmon, aparece para pedir ajuda ao protagonista, Haru. Surge então uma dupla, que tem como missão parar os terríveis atos do Leviatã, uma inteligência artificial que visa controlar toda a sociedade humana, a partir do mundo da internet. Além de Haru, outros jovens com parceiros Appmon aparecerão e lutarão junto ao protagonista. Ao mesmo tempo em que Haru e Gatchmon crescem e se fortalecem em conjunto, eles escreverão a sua própria "história".

Os "Appmon" não estarão apenas na série de TV, o projeto também se expande para uma grande escala de plataformas: brinquedos, jogos de arcade, card game, jogos para Nintendo 3DS, e muito mais. Não perca a oportunidade de fazer parte do grande sucesso que será "Appmon", a partir de outubro!
Entrevista com:
Nagatomi Daichi: Produtor de "Appmon"
Seki Hiromi: Supervisor da Toei Animation
Katou Youichi: Criador da série

Nosso objetivo foi fazer uma nova série "não-Digimon", 17 anos depois do anime ser lançado.
("Não-Digimon", como em uma remoção dos Digimons de "Digimon")

Por favor, nos fale mais sobre a experiência em trazer à vida "Appmon", como uma nova série de Digimon.
Nagatomi: Desde que a série "Digimon" começou a ser exibida como um anime para TV, em 1999, sempre tivemos uma linha contínua de temporadas para TV, filmes, brinquedos, jogos e etc. A série de "Digimon" originalmente era um anime baseado em alguns mini-games portáteis da Bandai, e por esta influência, sempre foi mantido o "Digivice" como um item fundamental em todas as temporadas, até Digimon Xros Wars, que foi ao ar em 2011. Porém, esses mini-games portáteis parecem um pouco ultrapassados para 2016, ano em que estamos, afinal, smartphones estão espalhados por todo o mundo, até mesmo em escolas primárias. Pensando nessa nova tendência, a Bandai propôs um novo item, os "Chips Appmon". A partir daí, Katou Youichi, criador da série, surgiu com um novo conceito de Digimon, totalmente diferente de tudo aquilo que já foi explorado, e pediu para que eu fosse colocado no comando da criação da nova série.
Seki: Mesmo antes de começarmos o planejamento do anime de "Appmon", eu estava envolvida em um projeto de consultoria da Bandai, decidindo como iríamos trabalhar com os brinquedos ao lado do anime, e em como daríamos um sabor moderno a eles, entre outros assuntos. Estava envolvida nas ideias que empurraram toda a série "Appmon" na direção que está tomando.
Nagatomi: Katou e Bandai criaram a proposta, dentro da qual o "não-Digimon" foi escrito. Enquanto isso, é um pouco difícil para mim dizer isso na frente de Seki, que estava envolvida na criação do Digimon clássico, mas eu estava extremamente atraído pelo novo conceito, eu realmente esperava ser capaz de criar o "Appmon" a partir dele!
Seki: Eu também sinto que esse é um dos melhores conceitos, que será capaz de trazer Digimon para a era moderna. Como estive envolvida nas várias séries de Digimon até agora, não poderia deixar de trazer os conceitos de "Digivice como item fundamental" e "nova visão do Digimundo", de tal modo que fossemos capaz de superar trais tradições!

Seki, como uma das responsáveis pela crianção da série Digimon, que tipo de conceito você pretendia criar com a primeira série, "Digimon Adventure"?
Seiki: No começo, queríamos criar um anime para impulsionar a venda dos mini-games portáteis, os "Digivices", mesmo que fosse pouco. Mas, para ser franca, os projetos iniciais para Digimon pareciam bastante assustadores, e eu não estava confiante que eles fariam sucesso. No entanto, estando envolvida na criação do anime, eu pude crescer e gostar dele ao mesmo tempo. Naquela época, pensei em adicionar alguns elementos teatrais, no qual eu sou especialista. Nós adicionamos as crianças, que representariam o ponto de vista do público, e contamos uma história de laços entre elas e os monstros.
Nagatomi: Foi uma série esplêndida. Embora eu tenha a assistido já adulto, isso não mudou o fato de que sua história era interessante. No entanto, senti que por causa do sucesso que "Digimon Adventure" conquistou, as séries que seguiram foram incapazes de romper com a "maldição" de compará-las com uma estrutura semelhante ao que Adventure tinha trazido. A partir daí, Katou, o diretor da série (Koha Gou) e eu, tivemos várias discussões com o objetivo de criar um "não-Digimon". Entre discussões, um tempo considerável foi gasto dissecando qual era o apelo de "Digimon Adventure". Uma das conclusões que chegamos, foi a de que a série representava uma visão interessante de um "futuro próximo". Em uma época onde as pessoas imaginavam um mundo cheio de aparelhos digitais e conceitos como internet, Digimon Adventure retratava uma história das novidades e os personagens que seriam possíveis nesse novo mundo. Vejamos, por exemplo, algumas palavras que pra época pareciam futuristas e hoje são comumente usadas, como "Arquivo", "Pasta" e "Server (Servidor)". Esse sentimento "futurista" emitia uma espécie de charme para as crianças daquela época, que diferente das de hoje, tinham menos contato com aparelhos digitais.
Seki: Naquela época, mesmo os telefones celulares não eram algo comum, até eu me pegava se perguntando "Arquivo?" "Server?", e todo o jargão digital. Então pedi para que o diretor e escritor, de "Digimon Adventure", escreverem esses termos de forma que qualquer pessoa pudesse entender, uma vez que as crianças daquela época não iriam reconhecer tais termos digitais. E assim, a série apresentou "Ilha Arquivo" e "Continente Server", com estas formas adicionadas nas extremidades dos termos, para serem de fácil manuseio e compreensão.
Nagatomi: Anexando a elementos como "Ilha" e "Continente", esses termos digitais, eles também forneciam algum tipo de conexão com o Mundo Real, o que pode ter sido uma razão para as crianças aceitarem Digimon.
Seki: Mesmo um futuro próximo pode ser considerado uma forma de fantasia. No entanto, apenas escrevendo uma história tipicamente fantástica, pode ser que ela não comova as pessoas. Por isso, temos sempre que abrir espaço para incluir algum elemento de realidade. Mesmo que as crianças não entendam tudo que está acontecendo, elas tentarão encontrar algo onde possam se agarrar, e uma vez que compreendam essa coisa, começarão a entender tudo, e ficarão absorvidas pela história. É por isso que criamos um elemento enraizado na realidade para agir como um gancho, e a partir dele ligamos elementos de fantasia, o que é essencial na criação de conteúdo voltado as crianças. Katou é especialmente hábil em criar tais ganchos.
Katou: Do meu ponto de vista, é impossível criar uma história sem ter algum tipo de gancho, e eu sou a pessoa que pega esse gancho e expande seus conceitos e ideias.

Inteligência Artificial como um gancho que liga a história para a realidade.

Então, qual seria o elemento em "Appmon", que atuaria como gancho de conexão com a realidade?
Nagatomi: Seria a inteligência artificial, que ultimamente vem aparecendo em várias notícias. Inteligência artificial está começando a ser integrada em aparelhos domésticos, tornando-se gradualmente algo indispensável em nossas vidas. Não só isso, ela também está se tornando uma existência mais familiar, como realizar processos tipicamente humanos. Por isso, eu pensei em criar uma história com a Inteligência Artificial como fator de gancho, e parecia que Katou e Seki compartilhavam do mesmo ponto de vista.
Katou: Com a velocidade que a ciência está avançando, a noção de "Problema para 2045" começou a vir à tona. Existe a previsão de que a inteligência artificial vai superar a inteligência humana em 2045. Em um projeto recente, a Microsoft lançou uma inteligência artificial tagarela chamada "Tay", que interagia com o público na rede e aprendeu a conversar. No entanto, não demorou muito para que ela começasse a aprender mensagens racistas e ficou confusa, gerando inúmeras notícias sobre ela. Tendo em vista estes pontos, bem como a forma da inteligência artificial estar começando a se tornar uma tendência atual, pensei que poderia usá-la como um ponto de partida.
Seki: Há alguns anos, muitos livros sobre Inteligência Artificial começaram a ser publicados, e eu fiquei obcecada por eles. Eu pensei que se fôssemos fazer uma nova série de Digimon agora, ela definitivamente deveria envolver inteligência artificial, de uma forma ou de outra. Naquele momento, Katou, que eu encontrava de vez em quando no edifício principal da Toei Animation, me disse que pretendia usá-la como um ponto de partida da nova série de Digimon. Nesse momento, eu já comecei a indicar diversos filmes e dramas que lidavam com a inteligência artificial, a fim de fortalecer a história. Katou viu as obras e leu para se aprofundar no assunto, e foi quando eu realmente acreditei que Appmon teria sucesso nas mãos dele.
Katou: Apesar de serem conversas curtas, de no máximo 5 minutos, tudo que Seki me falou sobre os filmes e dramas teve bastante significado pra mim. Embora não tenhamos planejado nada de antemão, isso me fez sentir que eu estava guiando o projeto na mesma direção que Seki, que pode ser considerada uma das mães fundadoras de "Digimon".
Seki: Senti que eu, uma das pessoas encarregadas pelo Digimon clássico, e Katou, que estava encarregado em criar o novo Digimon, compartilhávamos de um ponto de vista semelhante. A escolha certa era integrar inteligência artificial para um Digimon da era moderna. Eu estava animada para trabalhar com um escritor que compartilhasse do mesmo sentimento!
Nagatomi: Apesar de Seki, Katou e eu, termos muitas ideias diferentes, conseguimos chegar a um ponto em comum, a integração da inteligência artificial nesse projeto.

Como a Inteligência Artificial será integrada na história dessa série?
Nagatomi: Em um mundo onde a inteligência artificial tem capacidades semelhantes à dos seres humanos, chegamos a questão de qual exatamente é a diferente entre os seres humanos e as inteligências artificiais. Os protagonistas, Haru e seus amigos, começarão a pensar sobre esse tema, e se perguntarão "quais as vantagens que os seres humanos possuem, tendo em vista que as inteligências artificiais são tão evoluídas?" E "o que traz felicidade ao ser humano?"
Seki: Sondando a diferença entre inteligência artificial e ser humano, chegamos a pergunta: "Afinal, o que são os seres humanos?"
Nagatomi: Mesmo olhando para o passado e presente, existe uma diferença entre a Inteligência Artificial de antes e a de agora. Simplificando, no passado elas eram supercomputadores capazes de realizar cálculos rápidos. Por outro lado, nos últimos anos, elas começaram a ser capazes de processos de pensamento semelhantes aos dos seres humanos. "O que as Inteligências Artificiais pensam dos seres humanos? "Como é que os seres humanos vêem elas, sabendo que possuem inteligência que podem superar as suas?" Eu mesmo me pego pensando sobre essas questões. Esse é um ponto do enredo, em que eu estou muito interessado, Estou muito curioso em ver como Katou irá trazer esse conceito em "Appmon".
Katou: Conversando com Watanabe Kenji, que está encarregado dos desenhos dos personagens da série, ele me questionou: "você não acha que enquanto mantivermos nosso ponto de vista ético, a inteligência artificial não será capaz de realmente evoluir?" Foi uma opinião interessante, e algo que eu espero implementar na série. No entanto, eu não quero retratá-la como uma ameaça terrível que procura destruir a humanidade, embora seja verdade que existam alguns tipos de inteligências artificiais assustadoras, isso não é tudo. Existe o aspecto que elas podem ajudar os seres humanos, e também aquelas que são feitas para brincar. No final, a inteligência artificial é dependente de como o ser humano interage com ela. Espero poder retratar a pergunta "O que é exatamente uma Inteligência Artificial?" de uma forma que não seja muito difícil de entender.

Assim como tivemos termos digitais e uma visão de mundo digitalizada, em "Digimon Adventure", que trouxe emoção para as crianças que assistiram. Essa série tem como objetivo ligar os espectadores utilizando a Inteligência Artificial, que está se tornando uma existência cada vez mais familiar, e os aplicativos de smartphones, que já nos são bem familiares. É isso mesmo?
Nagatomi: Eu sinto que os Appmon são isso mesmo. São versões personificadas dos aplicativos de smartphone. Eles irão cativar os telespectadores de sua própria maneira. Enquanto nós não costumamos pensar muito quando usamos aplicativos, podemos imaginar que esses trabalho fique encarregado a um Appmon... Me deixa feliz saber que essa série poderá instigar de alguma forma, a imaginação dos espectadores.

Haru e Gatchmon são um tipo diferente de protagonistas.

Haru, o protagonista da série, sendo uma pessoa gentil, é mais introvertido ao invés de ser mais ativo. Você acha que isso faz com que ele não se pareça muito com um protagonista?
Nagatomi: É verdade. Entre os protagonistas das séries de Digimon, até agora, tivemos um monte de personagens que "tiram notas ruins na escola, mas são energético, corajosos e bons nos esportes". Enquanto essas características dão a impressão de protagonista, elas acabam sendo nada mais que ramificações do Taichi Yagami, o protagonista do primeiro anime. Já que o Taichi foi definitivamente o protagonista mais encantador, para uma série que via expressar um "não-Digimon", eu queria um protagonista diferente do que o Taichi foi.
Katou: Um protagonista mais agitado nos da aquela sensação de alegria para a história. No entanto, para Appmon, que gira em torno da "bondade, característica essencialmente humana, como capacidade de simpatizar com os outros" como tema, eu pensei que um protagonista muito agitado não seria muito compatível. Ao invés de alguém que resolva os problemas de modo impulsivo e enérgico, eu senti que o protagonista deveria usar seu coração bondoso para tomar decisões. No entanto, a bondade por si só não irá resolver todos os problemas. No decorrer da história, ele irá aprender a importância de superar dificuldades, e ganhar a força para se levantar e enfrentar os problemas. Você pode dizer que essa série é também uma história sobre o Haru, e você poderá se identificar com o seu crescimento.
Nagatomi: Após assistir ao primeiro episódio, se você sentiu que o Haru não é muito como os outros protagonistas, então eu posso dizer que nosso objetivo foi atingido.
Seki: Se eu tivesse que dizer algo bom sobre o Haru, eu diria que ele é um protagonista que representa as crianças reais dessa época. Ele é uma pessoa mais discreta, que prefere passar o tempo lendo livros ao invés de fazer atividades físicas. Ele até que tenta ser mais ativo e alegre como seu amigo Yuujin, mas não importa o quanto se esforce, ele não pode mudar quem ele é. Eu sinto que ele reflete os alunos em idade escolar, dos tempos modernos, muito bem.

Qual é a relação entre Haru e Gatchmon, o seu parceiro?
Nagatomi: Olhando as séries antigas de Digimon, e analisando as relações entre os personagens e seus parceiros, percebemos que os Digimons são como "alma gêmeas dos humanos". Eles não são apenas monstros de outra dimensão, eles são a personificação de um lado do próprio personagem humano.
Katou: Derrotar os Appmon que causam problemas, é um dos pilares da história dessa série. Mesmo quando Haru vê um Appmon mau, ele não determina imediatamente que ele é mau em sua cabeça. Ele os confronta diretamente, e decide com base em seus sentimentos. Aquele que faz uma cuidadosa investigação técnica é seu parceiro, Gatchmon, através de uma habilidade especial de "Procura".
Seki: Entre as crianças de hoje, existe uma quantidade surpreendente de crianças que não tem uma boa auto estima. Elas perdem a confiança em si mesmas, e se enchem de preocupações ao se compararem com os outros. Acredito que o papel dos Digimons, agora Appmon, também seja apoiar o seu parceiro. Quando um Appmon fala uma opinião diferente, isso significa que essa opção no fundo também estava no coração do seu parceiro. Eu ficarei feliz se o Haru e o Gatchmon puderem ajudar um ao outro.


Entrevista com:
Koga Gou: Diretor
Nagatomi Daichi: Produtor

Abrindo novas fronteiras da Computação Gráfica, com expressões nunca vistas.

Koga, como você se sente sendo o diretor da série "Appmon"?
Koga: Eu fui cativado pelo desafio de criar uma série que diverge de todas as que vieram antes dela. Embora hajam por aí muitas séries de longa duração, é geralmente o começo delas que contém o conteúdo mais revolucionário. Depois disso, as séries que seguem tentam herdar o espírito da primeira, o que pode acabar resultando numa estagnação. É por isso que temos que abrir novas fronteiras, a fim de herdar o espírito revolucionário lá do começo. Nesse sentido, senti que "Appmon" é a série que pode ser considerada herdeira do espírito de "Digimon Adventure".
Nagatomi: Para dizer a verdade, quando fui até o Koga para pedir que ele assumisse o cargo de diretor, ele me disse que se fosse pra fazer uma série semelhante as anteriores, ele não faria. Só consegui convencê-lo após falar sobre o conceito do "não-Digimon".

O que você tinha em mente ao produzir essa série?
Koga: A Toei Animation está se esforçando para oferecer uma série de boa qualidade. A série "Appmon" tem como enredo o crescimento do Haru e do Gatchmon, o que, apesar de possivelmente soar clichê, é o ponto de partida central da história.
Nagatomi: Koga, o diretor da série, é especialmente hábil em fazer uma animação exagerada. Mesmo no trailer, que você pode assistir assim que entra no site oficial, a habilidade dele fica evidente na forma como as cenas de "appliarise" e "fusão" se apresentam.
Koga: O trailer continha uma pequena cena com uma fusão do Gatchmon, elas estão num estilo que se assemelha ao 2D, porém, feitas em Computação Gráfica 3D. Já que os Appmon são formas de vida de dados, quis expressar isso através de recursos visuais. Assim, ao invés de usar um estilo de Computação Gráfica em 2D, resolvi retratá-la com um 3D mais realista. Com isso pretendo mostrar para os telespectadores como um evoluído "Super Appmon" seria se ele aparecesse no mundo real.

Nos animes de robôs dos últimos anos, mais e mais mechas animados com Computação Gráfica foram aparecendo. Com "seres vivos", os Appmon, utilizando essa mesma técnica, não pode parecer um pouco estranho?
Nagatomi: Appmon são seres que vivem no mundo da internet, e são diferentes dos seres vivos do mundo real. De acordo com Koga, computação gráfica traz uma qualidade maior ao Appmon, principalmente após sua fusão, de maneira que não seria bem representada por nenhuma outra técnica.
Koga: Estamos utilizando uma impressão de computação gráfica que ficará clara no anime. É claro que, dependendo da série, usar uma técnica que simule mais um 2D funcionaria melhor. No entanto, eu tinha um objetivo diferente para "Appmon". A fim de abrir novos horizontes para a série "Digimon", eu sinto que esse espírito pioneiro também é necessário.

A história do vínculo entre os Appmon e jovens, ainda em uma idade sensível.

Qual tipo de vínculo Haru e seu parceiro Gatchmon terão?
Koga: Haru é um jovem que aceita tudo como está, sem noções preconcebidas, e Gatchmon é um Appmon de busca, que adora observar as coisas. Gatchmon está obcecado com a procura, e Haru será arrastado pelas ações do Gatchmon. De certa forma, eles emitem vibrações que estranhamente se combinam. É interessante ver na história, como eles enfrentam juntos grandes adversários. O mais difícil, desde os primeiros estágios de planejamento, foi a forma de usar a pesquisa como uma habilidade para a batalha, essa pergunta surgiu inúmeras vezes entre a equipe, onde cada um deu seu ponto de vista.
Nagatomi: No final, acabamos utilizando a habilidade de pesquisa como forma de encontrar os pontos fracos do adversário no campo de batalha. Koga foi quem deu o nome do Gatchmon. Em uma reunião de planejamento, não conseguíamos chegar a um bom nome para ele, foi quando Koga apareceu com "Gatchmon", como se a ideia tivesse brotado do nada em sua mente. Quando perguntamos se o "Gatch" teria a ver com o resultado encontrado em uma equação, ele respondeu que na verdade era o resultado de agarrar algo com suas garras, um gachi! Apesar de todo mundo ter caído na gargalhada, o nome se encaixou tão bem, que até agora ninguém foi capaz de um nome que encaixasse melhor.

E os outros parceiros? Que tipos de relações eles terão?
Koga: Eri e Dokamon terão uma relação como em uma casa onde a mulher manda no marido. Dokamon sempre vai as lágrimas pelo seu amor por Eri e, por outro lado, Eri tem um temperamento forte. De vez em quando ela mostra algum tipo de compaixão pelo seu parceiro. Torajirou e Musimon são o alivio cômico chamativo da série. Eles acrescentarão comédia nas conversas, sempre que aparecerem. Rei e Hackmon serão os rivais. Eles não deixam transparecer qualquer emoção desnecessária, e estão mais para parceiros de negócio do que amigos. Conforme eles forem se encontrando com Haru, eles irão mudar significativamente.

Qual foi a intenção ao espalhar a idade dos personagens principais?
Nagatomi: Embora seja comum usar um aluno de quinta série como protagonista, fizemos um protagonista um pouco mais velho. Quando você entra na escola secundária, o leque de ações que você pode tomar se expande significativamente. E nós sentimos que através da variação da faixa etária dos personagens, seria possível retratar uma variedade maior de problemas e preocupações. Nas diferentes faixas etária, existem também diferenças na forma de pensar ou nos problemas que enfrentam.
Koga: Katou Youichi, que está no comando da criação da série, é capaz de compreender e captar a sensibilidade das crianças de hoje. Não só isso, foi solicitada a ajuda de Oonuki Kenichi, que já trabalhou em séries como Gundam Build Fighters, para fazer o design dos personagens. Oonuki é capaz de criar um design bem flexível.
Nagatomi: As personagens demininas são cativantes, como de costume. No começo eu estava apaixonado pela Ai, daí eu comecei a gostar mais da Eri (risos).

Para finalizar, Koga, por favor deixe uma mensagem para os leitores que estão ansiosos para a exibição da série.
Koga: Embora Appmon seja direcionado principalmente para as crianças, é uma obra de entretenimento que pode ser apreciada por espectadores de todas as idades. Espero que todos possam assistir a série quando ela começar a ser exibida em outubro.

Recado aos fãs de Digimon tri!
Nós criamos "Appmon" como uma série que mantém suas raízes em "Digimon Adventure". A equipe do "Appmon" também dará o seu melhor! (Nagatomi)
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